Hoje o dia passou todinho com aquela chuva fina. Foi um dia ruim para mim: experiência ruim, notícia ruim, mas se tem alguma plateia sádica no show da vida esperando eu me entristecer para aplaudir de pé, está enganada. Dizer que eu passo incólume por isso tudo também é demais, eu sinto sim, mas podem me chamar de boba da corte, aquela que quer rir até em meio à desgraça, mas 'desgraça' é só uma questão de prefixo e meu talento é sorrir. Eu dei um sorriso pro dia de hoje e tratei feito criança que fez uma bagunça boba. Sei que dá para arrumar. A gente vai levando, cada um do seu jeito. O meu é ficar em casa, dar uns gritos loucos e rir da zorra total que foi o dia quase que num rendez-vous, mas até aí alguém tira proveito. Eu quero tirar o peso do dia fatigado e sorrir para a neblina da manhã que está por vir inocente e alheia ao que o ontem me fez. Eu fiz doce de panela e fiquei com a boca grudando com o melado que juntou o coco. O dia passou num turbilhão como num filme. Quando petrifiquei com os choques, pus música. A música é meu melhor relaxante. Pus os fones em meus ouvidos e vim olhando pela janela da van. Deixei entreaberta e senti as gotas de chuva no rosto. Tive vontade de chorar e nem sei se chorei, sei que escorreu pelo rosto, se era chuva de dentro ou de fora, isso eu nunca vou saber. Meu riso sabe, mas não quis falar. Ele apareceu tímido e meio sem força, se mostrou para mim e sussurrou atrapalhado com o peso de seus dentes: "Vai passar. Isso também vai passar." Eu já andei muito nessa vida de meu Deus e no lugar de achar que as pernas estão cansadas eu prefiro dizer que estão fortes e treinadas por tanta caminhada. Às vezes eu as deixo descansar, mas sempre determinando o prazo para que voltem ao trabalho. Quando as coisas não vão bem, eu fico fantasiando bem na hora de dormir, cheia de sono e brinco de montar meus sonhos. Hoje eu vou pôr um vestido amarelo e correr pela praia com meu cachorro, pode ser só no sonho, porém o sonho é parte de mim e eu estarei lá, sem o corpo, só a alma sorridente. Por que amarelo? Minha cor favorita. É uma cor que passa sorriso, eu não sei o motivo, sempre foi minha predileção. O corpo está achando que é velho e cansado demais para essas coisas fortes, por isso eu fiz o beijinho, para lembrar para a língua que a gente já foi criança e criança cai e levanta até aprender a equilibrar a bicicleta, é fazer sem cansar, é fazer até saber e depois fazer pela felicidade de ter aprendido e desfrutar o gosto daquela conquista particular. A língua então calou e agradeceu pelo doce.
Eu escrevo desde meus 14 anos. Comecei a escrever por não ter conseguido falar, numa discussão, tudo o que eu queria. Hoje eu escrevo por muitos motivos, mas o principal é que quando fica tudo muito rápido em minha cabeça, eu paro e escrevo. Saem uns borrões quase que indecifráveis, mas alivia muito meus pensamentos que são a mil por hora. Espero que todos que lerem o que for aqui encontrem algo que lhes faça bem. Se for pedir demais, que ao menos saia com um sorriso a mais do que quando entrou.
terça-feira, 5 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Eu te amei!
Eu tive um amor de conto de fadas.
Uma única vez na vida eu tive certeza de que naquele abraço nunca deixaria de caber meu pranto. Dizer que o amor acabou é muito cruel, eu acredito que o amor é como a energia: nunca se dissipa, sempre se transforma. E deixou de ser aquela delícia prioritária e caimos na balela de sermos dois indíviduos ao invés de sermos um casal. Fizemos o caminho inverso, começamos pelo fim. Findou, não o sentimento, a relação, como disse, o amor se transforma. Separados, seguimos caminhos que já havíamos passado e como não tinham aquele sabor do que foi entre nós, acabamos buscando nosso abraço, mas a reminiscência do que era, ficou só na memória, não conseguimos praticá-los. Medo, covardia, comodismo, estupidez? Talvez! Na hora do amor a intensidade ainda era incomparável, mas depois dela, ficava vazio. E o bom do amor é se estender pelo dia afora. A gente faz as coisas pensando no outro, das maiores às menores, desde comprar o que comer e pensar se ele vai gostar, até que casa comprar.
Eu briguei, chorei, cobrei, discuti, desisti! Não do amor, mas daquele amor. Passou, hoje é o carinho do meu amor de cinema e só. A racionalização do amor é dolorida, mas às vezes é inevitável.
Peguei uma foto nossa que estava perdida numas anotações antigas e fiquei olhando fixamente. Percebi que o amor havia deixado de ser. A sensação que brotava em mim ao simplesmente ver sua imagem, passou. Eu tive no coração uma sensação parecida com a de ver a mim mesma numa foto na época de escola, por exemplo. Aquela saudade momentânea, gostosa, mas sem saudosismo, pois eu sei que vivi tudo à exaustão. Guardei a foto no mesmo lugar, pedindo que ela se perdesse, não que isso me causasse dor, mas é que eu quero reencontrá-la daqui a mais uns anos e ter as lembranças de novo.
Eu entrei no trem, enquanto ele partia, ainda lento, pousei nos degraus, segurei o balaústre, olhei quem fora meu amor um dia, acenei e gritei a plenos pulmões: "Eu te amei!" Uma lágrima aliviada correu pela face feliz.
Fomos um, mas agora o melhor é que sejamos dois e desde então, voltamos para nossas vidas separadas.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Minha doçura
Eu larguei de mão escrever por um tempo. Deixei os problemas que me cercam me abalarem de tal maneira que deixei de fazer uma das coisas que faço melhor e me faz tão bem. Estive pensando em quais momentos eu poderia ver que a vida valeria a pena. Lembrei de você. Senti um amor que preencheu meu peito e sorri feliz. Lembrei que havíamos brigado e passado um tempo sem nos falar. Lembrei daquela sexta-feira, as conversas e o abraço antes de você ir embora. Fiquei tentando achar palavras bonitas para caber naquele abraço, mas toda ficaram pequenas. A única coisa que me vinha à cabeça era totalmente pueril: a sensação de tomar um banho e deitar na roupa de cama limpinha. Sabe assim? Essa coisa gostosa que parece que conduz nosso sono aos sonhos mais gostosos.
Depois fiquei pensando: se eu declarar um amor assim na rede não ficaria estranho? Tive receio, pois o amor tem sido propagado como algo ligado diretamente ao sexual, mas para mim amor é uma coisa e sexo é outra e resolvi falar ainda assim.
Amor é princípio básico da vida e eu acredito que eu ter me aberto a viver e ver as coisas através do amor foi o que possibilitou nossa reaproximação.
Quis encontrar um apelido fofo para descrever você, mas o seu apelido já é uma doçura, Mel.
Um beijo!
sábado, 19 de março de 2011
Uma estrela lilás e maior que o Universo
Hoje eu lembrei do seu choro copioso em meu colo.
Ouvi seu soluço entre as palavras que escorriam pelas lágrimas.
Surpreendentemente brotou uma água em meus dedos. Era a lembrança de minhas mãos tentando conter seu pranto.
Depois do pranto, trocávamos de bem e fazíamos amor. Tenso, quente, intenso e suave.
Os olhos com luzes que mais pareciam feixes tirados dos raios do Sol.
Os abraços me passavam a sensação de entrar no mar gostoso num dia quente de verão.
Os beijos, o sabor de um doce de comer e misturar os sentidos.
Saí desse transe e olhei para dentro da minha alma com os olhos do coração.
Comecei a me perguntar o porquê desse passeio pela memória mais doce da vida.
Pensei na distância, entendi a saudade.
Tentei lembrar em quais dias você visitou meu pensamento. Achei mais fácil o inverso e não lembro de um dia sequer em que você não tenha sido parte do melhor da rotina.
Combinei com Deus que você despovoaria meu coração. Ele disse ser simples: basta que eu Lhe dê em sacrifício uma estrela maior que o Universo e lilás.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Voltemos ao começo
A vida oscila entre fases boas e más. Todas dependem diretamente do que a gente faz ou deixa de fazer. O que fazemos aqui hoje, nunca poderemos saber se para aqui ou continua. Uma palavra dita, um tapa dado, um beijo num momento de aflição pode se perpetuar noutro alguém sem que imaginemos tal proporção. Circulam por aí clichês como 'Plantar o amor para colher o bem', pois nada mais são do que o produto final da lei de ação e reação. Então, não precisa ser religioso ou nada disso. É uma ciência! Só que na vida nem sempre o retorno é igual e contrário, pode ser maior, pois o que fazes ao outro, além de despender determinada energia, soma-se ao que a pessoa traz consigo. Pode isso nunca parar, mas tenha certeza que volta para quem o fez primeiro. Eu acho que sempre maior, porque vem acrescentado de uma bagagem de todas as pessoas pelas quais passou...
Imagine então, se ao invés da agressividade peculiar a esses tempos velozes e vorazes, distribuirmos, com mesma intensidade, beijos e amor (Sim, sou piegas!). Acredito na fábula do beija-flor e a repito para mim todos os dias, internamente. Aprendi que tenho de ser a mudança que quero ver, pois a vida começa em mim e se expande e não o contrário.
Mesmo sozinhos podemos disribuir o amor que trazemos conosco. Pelo pensamento! Podemos emanar toda e qualquer vibração que trabalharmos em nós, basta que ponhamos nela toda a força do pensamento, até cansar, mas quer saber? Não cansa! Cada vez que distribuimos o bem, ele vai e volta, numa dança de bumerangue e vendo o bem crescer, sorrimos... E nesse sorriso há uma luz divina que passeia por todo o ser e se expande em tudo à nossa volta. Sejamos passivos mesmo que taxados de bobos, eu prefiro ser a boba do que aquela que magoou. Mágoa é uma palavra que eu julgo perfeita ao que nomeia. Só de falar mágoa, parece que dá para sentir um amargor na boca.
Tem hora que dá vontade de desistir e embarcar de volta ao corriqueiro, mas eu repenso em como aquilo retornou a mim e viver num mar de amarguras não dá. Vou nadar contra a corrente e atingir o lençol dágua e dali, conseguirei ver que nunca havia bebido água mais límpida. Esse sabor nos faz ver que o princípio era puro, a gente no caminho que polui.
Voltemos ao começo e trabalhemos para que tal pureza prevaleça da nascente ao deságue para que possamos enxergar tudo o que nos é dado durante o curso da vida, voltemos ao amor.
terça-feira, 15 de março de 2011
Só não dá para ser coisa alguma sem você
Rio de Janeiro,16 de janeiro de 2008.
O que você mais quer?
Me diz que me transformo e lhe dou.
Você quer meu amor ou minha dor?
Uma coisa assim contida ou totalmente sem pudor?
Você quer brincar ou brigar?
Quer fazer ou só sonhar?
E aí? O que vai ser? Decide!
Decide se me soma ou me divide. Me acaricia ou me bate. Me faça viver ou me mate.
Vamos fazer o dia!
Faremos um dia santo ou um sábado de carnaval?
Vai querer um domingo e um sol ou uma quarta-feira e um temporal?
Vamos ficar a sós ou no meio da multidão?
Pode me dizer um sim, mas prefiro seu não.
Vou me perder e lhe achar na sua confusão.
Vou lhe fazer chorar e mais ainda sorrir.
Agora vamos transar, logo mais vamos dormir.
Você decide o que fazer.
Por mim, faço qualquer coisa.
Só não dá pra ser coisa alguma sem você.
Sigo te amando
Tentei não falar de amor, ser engraçada, falar de coisas corriqueiras, mas por quê não? Acho que o medo todo sobre falar de amor é de ficar vulnerável. É aquele temor de ser descoberta e alguém achar que é bobagem. Depois eu vi que bobagem é tentar esconder. Não que declarar um amor vá fazer com que os sinos toquem, e nos encontremos, e casemos como num conto de fadas, mas é ter certeza de que tudo ficou claro. Entendi o que quis dizer o maior poeta de minha geração em: "É que eu preciso dizer que 'Eu te amo', te ganhar ou perder, sem enganos." Essa coisa toda de ter feito sua parte e por mais que a resposta seja um não, ela poderia ser um sim e a gente só sabe perguntando. Às vezes bate aquele arrependimento de ter dito e a coisa não ter saído exatamente como no sonho, mas tudo bem. Hora de sonhar outra coisa então ou quem sabe sonhar a mesma coisa e dizer para si mesma que é só uma questão de tempo. Sabe o quê não ajuda? Quando eu estou sofrendo pela falta do meu amor que se foi e alguma amiga diz: "Você é tão nova e bonita. Daqui a pouco aparece outro amor..." Por acaso meu coração é de papel e o amor um lápis fraco que basta apagar para escrever outro? Eu sinto como se meu coração fosse uma seda branca e brilhante e o amor aquela tinta permanente que não há o que apague. Impossível ter outro amor? Não, mas eu ainda estou sentindo aquele. Nessa vida de tudo ao mesmo tempo e para ontem eu sinto uma gana por resolver o mundo e eu não sou assim. Acho que tenho uma marcação mais lenta. Fiquei sem vergonha e falo do meu amor e declaro mesmo sabendo que a resposta é não, nem ligo. Há de ter reciprocidade numa relação, no amor não. Amar é individual! Claro que é muito mais gostoso ser amado de volta, mas nem sempre isso acontece ou acontece num tempo que a gente não entende. Eu desisti de entender... E banco a boba mesmo. Ligo, mando mensagem, e-mail, escrevo na internet para que todos vejam e saibam que eu amo. Vergonha de quê? De amar? Não de novo. Dessa fase eu já passei... Fico à espera de um dia o amor que sinto cansar e ir amar outro ou de preencher aquele que é meu amor e ser amado de volta. De todo jeito eu ganho, por enquanto, eu escrevo e sigo te amando.
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