quinta-feira, 10 de maio de 2012

É a força do amor de mãe

Meu cabelo anda num eterno coque, nítido que não anda penteado. As olheiras deixaram de ser algo leve e estão em degradê de cores que eu nem sabia que existia para elas. Sobrancelhas precisando ser limpas, flacidez pelo corpo, uma barriga meio inchada e meio murchinha. Os seios pesados e com veias tão verdes que o deixam com aspecto feio de melancia. Os banhos andam curtos, bem diferentes daqueles antes que eram preocupados com a estética, agora é só para limpar mesmo. Os dentes, a mesma coisa. Nada de procurar pela brancura e sim, sentir a boca limpa e pronto. Os cremes por esses dias foram deixados de lado. Coisa que se eu contar, ninguém acredita. As refeições começam quentes, abandono e quando volto, termina de comer já gelada. As unhas já nem existem mais, debaixo de tanta pele só são lixadas, cortadas e escovadas. Estou com uma aparência de adoentada e ainda assim estou linda. Nada convencional, estou uma pessoa linda. Noites mal dormidas, criança chorando e acordando de duas em duas horas, dor nos pontos inevitáveis do parto, dor na tal da bacia que não volta ligeiro pro lugar e a todo instante parece que vai "transbordar". É que em meio a tudo isso há um gigante. Um gigante de 52 cm. Uma preciosidade que eu pego nos braços e ainda tenho dúvidas se fui eu que fiz mesmo, se é realmente meu. 
Quando o corpo pensa em desistir, se entregar ao cansaço, ter saudades do tempo que o cuidado era só com ele, eu dou um cheirinho na cabeça do meu neném, olho ele dormir e o vejo sorrir sonhando e pronto, é uma recarga nas energias que não tem tamanho. O bercinho dele ficou no quarto de minha mãe e na noite passada, com os pontos doendo muito, não sei como, quando ele deu um choro, pulei do meio da cama direto para o chão. Não cheguei nem a me posicionar na beira. É a força do amor, é a força do amor de mãe. Ver que, mais do que nunca, a beleza vem de dentro. Hoje eu sou linda porque o melhor de mim saiu e tem os olhos de jabuticaba que prendem toda a atenção. O melhor de mim tem como voz só o choro e com ele consegue tudo o que quer. Agarra meus seios para se alimentar e suga, machucando, mas toda dor fica pequena ao ver que ele adormece em meio às mamadas e suspira profundo. Quem está dando os banhos é a vovó e ele já conhece minha voz e se chego e falo alguma coisa, ele faz manha e ensaia um choro. Agora ele está dormindo e a noite é curta. Acorda de duas em duas, três em três horas no máximo. Só que olhar no relógio e ver que dei conta de mais um dos primeiros dias, traz uma força tamanha e, de novo, me faz linda, no ser.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Amor de Deus

Vim caminhando pela vida e, inevitavelmente, acumulei sonhos. Alguns eu alcancei, outros não, alguns outros não se encaixavam mais na pessoa em que me tornei. Bom da vida é que cada vez que Deus lhe tira um sonho, Ele põe algo ou alguém para ocupar aquele espaço. Muitas vezes a pessoa não cabe, pois é muito maior do que o sonho. A gente também pode nem reconhecer, pois ainda somos pequenos e nos apegamos às ideias. Estou grávida e não sinto que serei mãe quando der à luz Ignácio. Eu sou mãe desde sua fecundação. Ser mãe para mim é abdicar de nós para ser para o outro, é um amor que nenhum conto de fadas contou até agora, pois para falar do amor sublime que Deus nos concede junto à maternidade, seria conto de anjos, pois as fadas seriam pouco. 
Além de sentir um amor que nada até agora se equipara, me ver mãe, gerando uma vida, me faz olhar para a minha mãe todos os dias com outros olhos. Nossa história é praticamente a mesma com a primeira gravidez e ter a dor na nossa pele é muito diferente de ouvir a história. Então, eu que sempre valorizei minha mãe demais, sei que não há valor a ser dado pelo que ela fez e faz por mim todos os dias. Reforcei em mim a ideia de que os laços do amor, do carinho e da amizade independem de sangue, pois o que mais vale é o espírito, pois ele sim é eterno. E reforcei também que o amor é uma plantinha, só precisa de água e Sol para crescer e florescer, pois de resto ele faz o trabalho sozinho, tira da terra em que foi plantado, o coração.
A hora do meu Ignácio nascer está chegando e durante a gravidez inteira eu nunca estive tão calma, o que causa espanto em muitos. É que a luta até aqui foi árdua e o nascimento marca, com muito vigor, uma nova fase da minha vida que ao mesmo tempo em que assusta, me faz olhar para os céus e agradecer desde a água que bebo até a maior das dores, pois eu entendi que Deus me confiou uma vida que vai depender de mim por muito tempo e tenho a missão de ajudar a formar um caráter, melhorar um espírito. Dá um medo, mas ao mesmo tempo, um sentimento de gratidão, pois Ele está me confiando um de seus filhos, uma criatura Sua para que eu o ajude a tomar conta, sendo assim, não há nervosismo que chegue e fui invadida pela calmaria do amor de Deus.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Celestial

Estive junto a você, mas sem poder tocar, a não ser com palavras... Esbarrar na sua mão de quando em vez e passear as mãos nas suas costas como se fosse acidentalmente, porém com o intuito de guardar seu cheiro em mim... Conversar quase sem olhar nos seus olhos com medo de que os meus me entregassem numa traição e aproveitando para fazer uma memória de cada som que sua voz produziu. 
De repente chegou sua risada. Eu tinha feito questão de esquecê-la, pois era uma das coisas que eu mais gostava, então reprimi qualquer memória para que a saudade não fizesse morada. Quando a ouvi, arrepiei-me dos pés à cabeça num calor que foi passando e trazendo toda memória à tona. 


Na despedida abracei-lhe num ímpeto que veio do coração. Senti seu toque e de novo seu corpo contra o meu. 

Daí peguei uma nuvem e voltei para casa, pois nas alturas  em que cheguei, não tinha como vir por nada que não fosse celestial...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Carolinda

Eu sempre tive implicância com o nome Carolina. É tanta música para elas e eu me perguntava, por que? Só que minha implicância passou e cada vez mais eu acho que deveria ter mais música, pois para minha Carolinda, uma é pouco. Acho que deveriam escrever um soneto, mas só seria válido escrito pelo poetinha e como ele já não está mais entre nós, ninguém mais conseguiria fazê-lo. 
Carolina é aquela que mesmo sem eu conhecer, já gostava. Eu gostei só do que ouvi falar. Depois nos falamos pelo telefone, internet. Então, quando a vi, senti que ela traz consigo uma centelha divina. Seu abraço é de conforto e sua voz parece de uma mãe ninando. É tanta coisa que sentimos quando a temos por perto, mas não sabemos explicar, faltam as palavras. Mamãe, assim que ela foi embora, virou e disse: "Gostei tanto da Carol!" E quase não se falaram. Carol é assim, ela nos ganha mesmo no silêncio. É a presença da luz de sua alma. É ter perto e sentir o amor, o carinho... 
Carol invade nossas vidas, mas como se já fizesse parte dela. É como se aquele lugar já fosse seu. A gente até pensa que ela já sabe de todas as histórias passadas, porque ela tem essa familiaridade. 
Ela chega em nossas vidas e ao falar com Deus, ao invés de pedir que Ele a proteja, eu peço o seguinte: "Deus, permita que eu continue merecedora desse amor. Guia-me pelo caminho da luz e faça com que eu a tenha sempre por perto." Pois a Carol não precisa de mais nada. Ela é celestial. 
Já disseram certa vez e é verdade: "Todo sentimento necessita de um passado para existir, o amor não. Ele chega como que por encanto." 
Acho que fizeram isso para Carolinda!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Evolução

Conversando com Vanessinha, contando os problemas que estão na roda agora, ela disse: "É tudo ao mesmo tempo, né, Prima?" E mais à frente na conversa, completou: "O que seria de nós se não fosse o espiritismo?" Tive de dizer: "Cortaríamos os pulsos!" Porque se não acreditássemos que tudo é merecimento e que tudo é retorno de vidas passadas, acho que em meio a esses turbilhões, desistiríamos. Só que vamos em frente, com resignação e força, pois Deus sabe de todas as nossas necessidades. Sim, necessidades e não vontades. Das vontades podemos tê-las, porém sem que sejam necessárias, pois somos egoístas. Viemos aqui para evoluir e a cada passo fazemos um caminho e esperamos que esse caminho seja o da evolução. 

Reclamamos, pois se ainda estamos aqui para evoluir, muito ainda temos que andar para entender e aceitar de bom grado, sem reclamar. Então a gente só aceita, mas com uns queixumes de quando em vez. Não que pensamos que não merecemos, mas fica a dúvida: "O que eu fiz para passar por essas dificuldades todas, pois se tudo é retorno, me ponho a pensar." 
Bom mesmo é trocar problemas, sem sadismo, só que saber que outras pessoas têm problemas também. É o não se sentir sozinha. É saber que Deus dá a mesma resposta a todos nós, que Ele é justo! 
Sendo assim, encerremos por aqui, chega de reclamações, afinal é tudo merecido! Logo, Deus, obrigada pela chance de sentir aquilo que eu já causei, pois a dor no outro é só sabida, em nós, sentida! 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Na reta final que será o começo

Hoje fui à obstetra. Quando olhei o cartãozinho, surpreendentemente, estava marcada para daqui a 15 dias e não um mês. Perguntei a ela o porquê e ela disse: "É que agora no finalzinho é assim mesmo..." Finalzinho... Daqui a pouco meu Ignácio está aqui, fora de mim, sugando meu peito e chorando para tudo, pois ainda não vai saber falar o que quer. Só agora que mesmo que ele nasça antes, já pode correr tudo bem, ele já está formadinho e tudo o mais é que meu coração tem sossego. E é improvável que nasça antes, pois depois de todos os percalços, agora a saúde está bem e aqueles problemas todos foram sanados. 
Em princípio, nessa gravidez, eu me queixei bastante, chorei muito e sofri demais. Eram problemas profissionais, pessoais, financeiros, parecia que tudo estava contra, que tudo daria errado. Quando um problema era resolvido, aparecia outro, e outro, e outro... 
Fiquei questionando a Deus qual era o propósito dessa dificuldade toda. Só que o tempo dEle é grandioso e hoje eu entendo que meu filho, além daquele amor maternal que já é comum a toda aquela que aceita o sentimento de mãe, eu tenho com ele algo além. É uma proteção, uma vitória... Meu filho é minha maior conquista. Ele me faz entender que a todo o resto que eu dava tanta importância, ficou pequeno, sem importância. Gerar um filho nessa dificuldade danada, me fez deixar de ter aquela vaidade de grávida, aquela coisa de me achar linda e especial, pois a todo momento minha gestação estava por um fio.
Eu me senti muito frágil e vi que gravidez não é essa coisa linda que ouço dizer por aí, é muito mais. É uma coisinha que se mexe dentro da gente, feito um passarinho assustado, tão pequeno e tão imenso. Eu vivi em função dele. Sem fazer o que eu gosto ou queria, me alimentando por ele, cuidado com a roupa, com a alimentação, exames que muitas vezes quando o médico passava, eu deixava de fazer, agora é tudo à risca. 
Além desses cuidados todos, uma coisa que eu percebi, é que a maternidade me aproximou muito da minha mãe. Como tivemos filhos na mesma situação, é entender muitas das coisas que ela falava e eu achava chato, desnecessário e ver o cuidado que ela teve comigo e tem com ele, pois quando nos vemos mãe, alguém comprar um alfinete que seja ou ligar e perguntar do seu filho é infinitamente maior do que qualquer ligação da vida para saber de nós. É que o amor pelo filho anula o amor-próprio, pois o próprio amor cresce no ventre e primeiro ele, depois eu. 
Ainda tenho muitas preocupações, mas todas elas em deixar a vida do meu Ignácio melhor, gostosa e cheia de amor. Já que Deus me concedeu a dádiva de ser mãe e sentir esse amor, creio que ele dará a força necessária para que eu exerça meu papel da melhor maneira possível.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Tanto mulherão não cabe num só dia!!!

Dia desses ouvi alguém dizer que fulana era um mulherão. Logo em seguida, a fulana sentou ao meu lado e eu não vi isso. Eu vi uma mulher fisicamente bonita, mas quando abriu a boca mais parecia um vaso vazio. Um vaso lindo, mas eu penso que por mais lindo que um vaso seja, sua beleza se inutiliza se ele se mantem vazio. 

Minha mãe é um mulherão... Não! Ela não sai em capas de revistas dando receitas de como ser linda e sem celulite aos 50 e poucos anos. 

Só que sem sombra de dúvidas ela é muito mais que as chamadas divas que vivem sob holofotes! Ela é uma Deusa! Ela trabalha muito, criou duas filhas sozinha, encarou o mundo, é mãe, profissional, faxineira, cozinheira, avó, estudante, pedreira, decoradora, médica , enfermeira, resumindo, ela tem super poderes!!! Muito mais poderes do que uma mulher apenas bonita fisicamente. Então, ela é que é um mulherão.
Certa vez fui a uma jogada de búzios e a moça disse: "Você é uma guerreira!" Nem todas as cantadas que recebemos na rua, todos os elogios ligados aos atributos físicos me alegraram tanto quanto esse. Pensei que algo do lindo que vejo em minha mãe cresce em mim. E agora que estou a trazer ao mundo meu filho, mais do que nunca, me sinto um mulherão. Não só pelo simples fato de gerar uma vida, pois muitas mulheres fazem isso e ainda assim não são mães. Hoje eu não vivo com cuidados pelo meu filho, eu vivo em função dele. Gravidez complicadíssima em todos os aspectos: físico, moral, psicológico... Mas minha sábia vozinha disse-me certa vez que Deus não nos dá uma cruz maior que nossa força e tudo nos engrandece. Vivo em função do meu filho e me privo todos os dias de um monte de coisas que eu fazia como respirar, naturalmente, pelo bem estar dele. Pela minha crença, essa coisa de não pedi para nascer não existe, a gente pede sim, mas ainda assim, ele é minha prioridade, meu foco. Porque mesmo acreditando que ele pediu para vir, antes mesmo de eu nascer, lá em cima a gente já aceita essas coisas todas em prol do nosso crescimento espiritual e a melhor coisa é não reclamar e sim agradecer pela oportunidade.
Então, assim como a minha mãe, muitas mulheres que conheço são mulherões!!! E o dia de hoje cabe mais a elas que são vasos com flores de todas as cores, mesmo com rachaduras, às vezes com poeira, mas sem deixar nenhuma flor murchar! A todas nós: Feliz dia das super mulheres!!!