terça-feira, 2 de outubro de 2012

Perdoe-me eu

Na vida aprendemos a andar para frente, porém aprendi que por vezes é sábio andar para trás, rever antigos conceitos. Liguei-me a essa ideia hoje, pois estou em meio a perdões. Perdões pedidos a mim mesma sem a fatídica palavra em si, mas com alguéns se chegando de mansinho. Perdoar é sábio e muito difícil. Perdoar aos outros é admitir que há o erro em si próprio, pois se eu não admito o erro alheio é porque acho que não erro, logo, sou perfeita. Então, perdoar a si próprio é primordial. É saber-se humano, sentir-se humano e ter a consciência que por mais que a estrada seja lisa o passo não o é.
Amor não fica só de bem. Ele troca de mal quando lhe dá na telha, precisa de um tempo, de um canto e respira sem o aperto do abraço muitas vezes cruel e sufocante. O corre-corre do dia-a-dia e de repente para, um sorriso, pronto! É o refazimento de toda a força por mais que amuada. Coração é terra onde não se pisa, dizem. No meu eu sapateio, canto, danço, arranco a tinta na unha, depois volto a pintar. Há um quadro ou outro, um retrato que não tiro do lugar, mas sempre há um espaço para mais, uma necessidade de tirar o que não flui, pois ali se expande e se retrai. Uma hora valsa, noutras muito samba, dia de brisa, bossa nova, tango, blues. 
Perdão é para si e para o outro, é amor machucado e curado, velho e renovado. É algo de todos e só meu. Então, é secreto e seguro, deve ser puro, deve ser chão.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Estrela!

Você chegou com tanta força que foi descoberto logo no princípio. Sua vinda era tão esperada que não dava para esconder... Você tentou vir de mansinho como todos fazem, mas sua mamãe parece que sentiu seu cheiro. 
Em sua primeira morada, fez bagunça, claro! Trocou tudo de lugar, achou pequeno, expandiu, queria e precisava de mais espaço. Sua mãe quis ficar brava, mas todo o amor de mãe e saber de sua necessidade em crescer não permitiam.
Você quis nos dar um susto e saiu da primeira morada antes da hora. Não ouviu ninguém e veio conforme sua vontade. Ali estava dizendo que seu tempo era outro, que já estava pronto!
Pronto! Você veio pequenininho, parecendo frágil, mas sabemos que era só delicadeza, com uma força incrível! A força vem do amor que trouxe junto e parece que sempre estava aqui. Parece que olhava a mamãe e o papai lá do céu ajeitando tudo para chegar no momento certo. Você veio completar a pintura e acima de tudo, dar sentido à vida. Você é fruto e ao mesmo tempo flor, pois dá a beleza à árvore. Você traz sorriso, carinho e amor. Para suportar tanto sentimento, papai e mamãe tem de ter mais coração porque um só não basta, é pequeno demais! Num piscar de olhos já faz um ano! E é claro que essa data existe só para reforçar a ideia, para celebrar a vida porque o presente está aí todo dia, você! Uma estrela caiu do céu aqui nas nossas vidas, estrela Davi!

domingo, 29 de julho de 2012

"Não, eu quero uma ismãzinha!"



"Não, eu quero uma ismãzinha!" 
Era assim que você respondia à minha prima quando ela ficava lhe atiçando, dizendo que eu seria um menino.  Pois é, ismã, eu vim de acordo com a vontade do Pai, atendendo ao seu desejo de ter uma irmã com quem brincar, conversar... Em princípio, claro, a gente brigava de se enrolar no chão, afinal, criança é para isso! Ficamos sem nos falar e volta e meia ainda temos nossas rusgas, mas cada vez conseguimos ficar menos tempo longe porque família precisa estar sempre perto. Por esses dias eu tenho pensado muito na nossa infância na pequena casa da rua Narciso e me vem à memória como ficávamos sozinhas. Você, que ainda era tão criança, tinha a responsabilidade de cuidar da casa, de você mesma e de mim. Então, passávamos pelo começo da Amandiú, rua em que mora até hoje nossa avó, e uns meninos mexiam com você, chamavam por apelidos, aquela crueldade que é peculiar de muitas crianças, e eu prontamente respondia, dizia que isso ou aquilo era a mãe deles, os chamava de imbecis e achava que não apanhava por ter enfrentado. Hoje sei que era por ser pequena demais e menina, ainda assim, sei que era o jeito de a gente se cuidar e de eu retribuir seus cuidados comigo.
Há poucos anos, moramos ao lado da casa das gêmeas e a mãe delas, dona Zita, por muitas vezes me disse: "Eu achava lindo quando vocês passavam aqui crianças. Sua irmã segurava sua mão com firmeza, como se estivesse carregando seu bem mais precioso." 

É isso, nossa história até aqui é a pequena parte do nosso maior e mais precioso bem, nosso amor de ismã!

domingo, 8 de julho de 2012

Feliz ao seu lado

Minha vida é mais feliz ao seu lado. Seus olhos amendoados e como sorri ao me ver, saber que tem no meu colo o seu conforto e que meu abraço é um acalento para as suas aflições, são pequenas doses de combustível para minh'alma todos os dias. 
Durante as refeições, perco-me fazendo diversas coisas, mas basta esbarrar meu olhar no seu e perceber que estava há tempos me fitando que paro o que for e uso apenas os olhos para dizer que amo você, sem me utilizar da voz. Nunca estive tão aflita, pois quero ser o melhor de mim para ser para você. Sempre orei aos céus pedindo que meus passos fossem abençoados, só que agora peço que sejam firmes para acompanharem seu andar. E antes de deitar, nas últimas preces, peço que antes de ter o que roguei, que eu seja merecedora de tudo. Você me fez impaciente com o trivial e aplicada nos deveres. Passei a calar quando me machucam e a lutar com forças que nem sei de onde vêm se algo ou alguém ousa lhe fazer algo que fuja do divino. 

Depois de você a vida passou a ter mais sentido e quase não lembro dela antes, ficou vazia, sem respostas. Já tentei descobrir o que é isso, que nome tem e vi que não tem como descrever apenas como um sentimento, é uma ação, causada e sofrida, é uma força, um sentido e uma vida, é você, meu filho, minha cria.

sábado, 2 de junho de 2012

Velhice atemporal

Juntando os pedaços eu percebo que parei num tempo em que nem era nascida. Conversando por aqui e por ali, solto umas coisas que não condizem com minha idade. Uma amiga estava desesperada com uma roupa que fora branca um dia e agora estava totalmente encardida, me perguntando que produto químico usar para branqueá-la novamente. Falei para ela quarar a roupa e ela nem sabia do que eu estava falando. 
Eu gosto de chás calmantes, de quando em vez, num frio ou outro, bato uma gemada, coisa que nem minha avó faz mais. Gosto de cozinhar sopa, ainda compro mel para adoçar as bebidas, faço hidratantes caseiros e peelings com frutas e açúcares! 
Sou artesanal, apanho da tecnologia e me dou melhor com um livro ou caderno e caneta do que com o computador. 
Estava revendo um filme que gosto demais e num diálogo, certa personagem diz o seguinte à amiga: "Eu sou antiga desde nova!" Senti-me descrita ali. Só que como eu ainda tenho 25 anos, a fala seria: "Eu sou a antiga mais nova de todas!" Eu sinto como se depois desses 25 entra um 0 e fica pesado. Pesado no espírito, mas leve no ser. Às vezes sou meio mãe de todos, mas me sinto meio avó. Gosto de conversar com gente velha e curto o antigo. 
Nesses tempos da eterna busca pela juventude, posso ser considerada passada, nem ligo! Bom mesmo são os sentimentos que vêm juntos dessa velhice atemporal...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Peito para dar de mamar

Hoje eu me dei conta que há tempos eu não faço uma refeição inteira. Eu estava esquentando o almoço, minha mãe chegou e se ofereceu para dar banho no meu príncipe enquanto eu comia. Enquanto ela o vestia, ele começou com aquele choro miado que é o de fome... Passei uma maionese no pão, pus um suco num copo pequeno e engoli em menos de dois minutos contados em relógio. Minha mãe veio com ele no colo para me entregar e quando me viu comendo daquela forma, riu e disse: "É, minha filha, ser mãe é isso." Sentei correndo, pus o seio para fora e ele começou a mamar. Pronto! Minha fome passou. 
É uma das melhores sensações do mundo ser a fonte de alimento de um filho, não dá para explicar! É uma heresia ler ou ouvir por aí que certa mulher não quis amamentar para que os seios não ficassem caídos. Eu tinha muito desse medo, não que eu achasse que não fosse amamentar, mas tinha o receio de quão flácidos ficariam. Eu estou com um maior do que o outro, pois meu bebê prefere um deles. Por mim, que fiquem murchos, que batam nos joelhos, que pareçam saquinhos de sacolé usados porque eu percebi que quando a causa é nobre, as cicatrizes são medalhas de honra ao mérito. E para quê são feitos os peitos senão para dar de mamá? A felicidade de se ter um filho deixa tudo o mais pequeno.  Entre fraldas, seios, noites não dormidas e refeições não comidas, percebi que felicidade é bem mais do que propaganda de margarina onde tudo é em ordem e perfeito, pois com todos esses detalhes que seriam tenebrosos, nunca estive tão radiante.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Para sempre inconstante

São tantos planos, tantas organizações e quando vejo, quase nada sai à maneira que eu quis. Algo sempre foge e fica maior, diferente. O planejamento é uma forma de controlar o medo, daí tudo muda e por pequenos instantes eu paraliso. Depois vem uma força de eu nem sei onde, invade tudo em mim e me impulsiona para a melhor solução. Sei que no fim, tudo dá certo e vejo que aconteceu do melhor jeito possível. É que na dificuldade vem o improviso, o raciocínio rápido, o exercício da inteligência, do reflexo e o crescimento. Mesmo sabendo que a vida é incontrolável, eu ainda tento, só que agora com a consciência de que provavelmente não será conforme a cartilha. 
No fim, no meio e no início, eu sorrio. Sorrio para as adversidades e até já fiquei amiga delas. Às vezes a gente briga, ela me pega muito com as calças curtas, mas depois a gente senta e ri de tudo porque vejo que lição ela me trouxe. É que durante a lição, ela não pode dizer seu propósito. Ela fica só observando se eu vou aprender, tomar nota e há muito eu parei de ignorar e passei a absorver.
A vida é assim mesmo, tem vontade própria, o para sempre dela é inconstante, muito diferente do nosso. E como é para ser vivida, é aceitar e aproveitar o que ela tem de melhor. Então, só se tem a ganhar.